ITANHAÉM EM CRISE --

Aumento do IPTU e a falta da Coleta de Lixo gera manifestação em frente a Prefeitura.

Os últimos dias de janeiro de dois mil e vinte e seis escancararam um sentimento crescente em Itanhaém: o de que a população está pagando mais e recebendo menos. O aumento do IPTU em dois mil e vinte e seis provocou indignação em diversos bairros da cidade. Moradores relatam reajustes muito acima da inflação, sem aviso prévio e sem explicações claras sobre os critérios adotados. Para muitas famílias, o imposto simplesmente deixou de caber no orçamento. A Prefeitura afirma que os valores refletem a atualização do valor venal dos imóveis, um ajuste que estaria defasado há anos. Mas a pergunta que fica é: por que essa correção veio de forma tão abrupta e sem um diálogo mais amplo com a população? O cenário se torna ainda mais crítico quando o aumento do imposto vem acompanhado da cobrança da taxa de coleta de lixo, justamente em um momento em que o serviço enfrenta graves falhas. Desde o fim de dezembro, moradores denunciam ruas tomadas por sacos de lixo, mau cheiro e riscos à saúde pública. Em plena temporada de verão, com a cidade cheia de turistas, a imagem de Itanhaém foi marcada pelo acúmulo de resíduos e pela sensação de abandono em alguns bairros. A administração municipal afirma ter reforçado equipes e realizado mutirões. No entanto, relatos da população indicam que os problemas persistiram por dias, e em alguns casos, por semanas. Diante disso, cresce o questionamento central: para onde estão indo os recursos arrecadados com o aumento dos tributos? Por que serviços básicos continuam falhando enquanto a carga sobre o contribuinte aumenta? O debate vai além de números. Trata-se de transparência, planejamento e respeito ao cidadão. A população cobra respostas, e Itanhaém aguarda explicações que ainda não vieram de forma clara.

— Edgard Chiarelli - Jornalista